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General brasileiro em forças dos EUA atrapalha laços com Moscou e Pequim, diz especialista

A decisão do Brasil de enviar um oficial para integrar as Forças Armadas dos Estados Unidos deve atrapalhar as relações do país com importantes aliados, como China e Rússia. A avaliação é do especialista em Relações Internacionais Paulo Velasco, que conversou nesta segunda-feira com a Sputnik sobre esse polêmico assunto.
Sputnik

Na última semana, se tornou pública no Brasil a notícia de que o país indicará, até o final do ano, um general para assumir um posto no Comando Sul (SouthCom) dos EUA, que cobre América Central, Caribe e América do Sul, provocando controvérsias.


De acordo com o comandante responsável, o almirante Craig Faller, os interesses norte-americanos na região seriam ameaçados por Rússia, China, Irã, Venezuela, Cuba e Nicarágua, países com os quais o Brasil poderá ter relações prejudicadas por conta dessa situação, conforme acredita Velasco, professor adjunto de Política Internacional do Departamento de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (U…

Saída de Trump do acordo nuclear com o Irã beneficia Rússia e China

Dias depois que Trump anunciou a saída dos EUA do acordo nuclear com o Irã, os preços do petróleo estão subindo e a moeda russa – o rublo – está se fortalecendo.


Por Alexandre Galante | Forças Terrestres*

O tumulto no Irã/Oriente Médio aumenta o preço do petróleo, que vai acabar tirando a economia russa de Putin da depressão.

Trump atropela acordo nuclear
Trump atropela acordo nuclear com o Irã

O preço do petróleo é o mais alto em 3 anos e meio e as ações de óleo da Rosneft, uma das três maiores empresas de petróleo e gás da Rússia, estão em alta de 30% em um mês.

Para o Estado russo, cujas finanças continuam altamente dependentes dos recursos naturais, o petróleo é uma fonte significativa de renda, num momento em que o presidente Vladimir Putin está iniciando seu quarto mandato no Kremlin com promessas de desenvolver a economia da Rússia e reduzir a pobreza.

O primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev, avaliou o custo dos objetivos de longo prazo de Putin em mais de 100 bilhões de euros.

Analistas do Alfa Bank da Rússia disseram que a retirada dos EUA do acordo nuclear do Irã manterá os preços do petróleo altos, o que é ótimo para a economia russa, e deduzem que a concorrência dos EUA e da UE também ajudará a Rússia a vender aço e outros produtos manufaturados ao Irã.

Embora a Rússia tenha condenado Washington por sua retirada do acordo nuclear com o Irã, Moscou permanece menos exposto às conseqüências econômicas das sanções dos EUA do que a Europa e suas empresas podem até se beneficiar da medida.

“O acordo e o levantamento de sanções em 2015 marcaram o retorno dos negócios europeus ao Irã. Mas é improvável que eles possam continuar fazendo negócios hoje, dando espaço para a Rússia”, disse o cientista político independente Vladimir Sotnikov.

“A Rússia pode agora avançar a toda velocidade”, acrescentou ele.

A Rússia e o Irã já tiveram relações difíceis, mas viram os laços melhorarem desde o fim da Guerra Fria.

Apesar de Teerã ter sido evitado pela comunidade internacional nos anos 90, Moscou concordou em retomar a construção da usina nuclear iraniana de Bushehr que a Alemanha abandonou.

A Rússia e o Irã procuraram fortalecer seus laços comerciais muito antes do acordo de 2015, apesar das sanções internacionais em vigor.

“A Rússia quer vender aço, infra-estrutura de transporte e outros bens manufaturados para o Irã. Quanto menos concorrência dos EUA e da UE, melhor”, disse Charlie Robertson, analista da Renaissance Capital.

Igor Delanoe disse que a Rússia tem um “papel real a desempenhar” nos setores de energia e eletricidade do Irã.

China também se beneficia

A CNPC, gigante chinesa do setor de energia, está disposta a comprar a participação da empresa francesa Total no projeto de gás iraniano South Pars, caso este decida desistir por causa das sanções dos Estados Unidos contra Teerã, informou a Reuters.

“A possibilidade de retirada da Total está bastante alta agora e, nesse cenário, a CNPC estará pronta para assumir totalmente a situação”, disse a agência de notícias citando a fonte do setor.

“A CNPC previu uma alta probabilidade de uma nova imposição das sanções dos EUA”, disse outra fonte.

O campo South Pars é a maior reserva de gás natural do mundo já encontrada em um só lugar. A Total tem uma participação de 50,1% no projeto que desenvolve a fase 11 de South Pars, enquanto a China tem 30% com as ações remanescentes pertencentes à subsidiária nacional da petrolífera iraniana, PetroPars.

Nos atuais preços do gás, todas as reservas do South Pars podem ser estimadas em cerca de US$ 2,9 trilhões. O Irã compartilha o campo com o Catar. A Total assinou um acordo com o Irã em julho de 2017 para desenvolver a fase 11 do campo de gás com um investimento inicial de US$ 1 bilhão. A empresa francesa foi a primeira empresa ocidental a investir no setor de energia do Irã após o acordo nuclear de 2015.

Em março, o CEO da Total, Patrick Pouyanné, disse que a empresa pedirá uma isenção para continuar o desenvolvimento do campo de gás se os EUA decidirem reimpor as sanções.

Nova linha ferroviária da China para o Irã envia uma mensagem para Trump

Novas conexões de trens de carga geralmente têm um potencial limitado para fazer manchetes globais, mas um novo serviço lançado na China na quinta-feira pode ser diferente. Sua carga – 1.150 toneladas de sementes de girassol – pode parecer banal, mas seu destino, no entanto, é muito mais interessante: Teerã, a capital do Irã.

O lançamento de uma nova conexão ferroviária entre Bayannur na Região Autônoma da Mongólia Interior da China e o Irã foi anunciado pela agência oficial de notícias Xinhua na quinta-feira. Seu caminho exato não foi descrito no despacho, mas os tempos de viagem aparentemente serão encurtados em pelo menos 20 dias em comparação com o transporte de carga por navio. Agora é esperado que as sementes de girassol cheguem a Teerã em cerca de duas semanas.

Enquanto os Estados Unidos estão pressionando as empresas estrangeiras a reduzir suas operações no Irã, a China parece estar fazendo o oposto. O lançamento da conexão do trem de carga de quinta-feira foi apenas a mais recente medida adotada por Pequim para intensificar as relações comerciais com o Irã e parece não haver planos até agora para ceder às exigências dos EUA.

*Com Agências Internacionais

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