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Empresa chinesa faz peças para F-35? Revelação surge em meio a polêmicas envolvendo Huawei

Em meio à briga contínua entre os EUA e a gigante tecnológica chinesa Huawei, classificada como ameaça à segurança por Washington, verificou-se que uma subsidiária com sede no Reino Unido de uma companhia chinesa fabrica peças para os jatos americanos F-35.
Sputnik

Trata-se da companhia chinesa Exception PCB, com sede no condado britânico de Gloucestershire, que fabrica placas de circuitos que controlam os motores, iluminação, combustível e sistemas de navegação dos caças F-35 – o sistema de armas mais caro já feito.

De acordo com a emissora britânica Sky, citando materiais divulgados pelo Ministério da Defesa do Reino Unido, a empresa que fabrica componentes para os caças da Lockheed Martin foi comprada em 2013 pela companhia chinesa Shenzhen Fastprint, que inclusive já participou da fabricação de caças Eurofighter Typhoon e de helicópteros de ataque Apache.

"A Exception PCB, com sede em Gloucestershire, fabrica placas de circuito impresso que controlam muitas das principais capacid…

Russos querem entrar no exercício naval IBSAMAR, com Índia, Brasil e África do Sul

O site oficial da Marinha da África do Sul divulgou, na terceira quinta-feira deste mês (16.08.), que, na última semana de julho, ao recepcionar, na cidade de São Petersburgo, o vice-almirante Mosiwa Samuel Hlongwane, seu colega Comandante da Força Naval sul-africana, o Chefe da Armada Russa, almirante Vladimir Ivanovich Korolyov – um submarinista de 63 anos –, “expressou gratidão pela presença da delegação sul-africana e garantiu ao Comandante da Marinha [sul-africana] que tal participação contribuiria para o desenvolvimento da cooperação bilateral entre os dois países”.


Por Roberto Lopes | Poder Naval

De acordo com o texto do site (disponível em aqui), redigido pelo militar sul-africano M. L. Tabhete, Korolyov “chamou a atenção” de Hlongwane para o fato de “que desde 2016 a Marinha Russa vinha promovendo a ideia de exercícios combinados entre os dois países. ‘Esperamos que estes exercícios ocorram, num futuro próximo, não apenas para o benefício dos países participantes, mas para toda a comunidade internacional’.”

Corveta Barroso na ATLASUR IX e IBSAMAR III
Corveta Barroso no IBSAMAR III

E o comunicado prossegue: “Além disso, o almirante V.I. Korolyov usou o debate para expressar determinação em participar do IBSAMAR, que ele descreveu como um meio crucial para alcançar a incisividade militar de todos os estados membros”.

O IBSAMAR é um exercício naval bianual que reúne forças navais da Índia, Brasil e África do Sul, e, precisamente este ano, terá, durante a primeira quinzena de outubro, a sua 6ª edição.

As manobras transcorrerão ao largo do litoral sul-africano. A unidade que representará a Marinha do Brasil (MB) será a corveta Barroso, que já se encontra na travessia do Rio para o porto militar de Simon’s Town. A bordo do navio seguem um helicóptero Esquilo (UH-12), e uma fração do Grupamento de Mergulhadores de Combate.

O exercício IBSAMAR VII, que, em teoria, poderá receber navios de guerra russos, terá lugar na costa indiana, durante o último trimestre de 2020.

A MB não faz comentários sobre a revelação feita pelo site da Marinha sul-africana no último dia 16, mas é certo que a formalização do pedido do almirante Korolyov não pegou de surpresa o almirante Hlongwane, e é perfeitamente crível supor que o Comandante da Marinha sul-africana já tenha conversado sobre o tema da participação russa com os seus dois colegas da operação IBSAMAR: o almirante de esquadra brasileiro Eduardo Leal Ferreira e o vice-almirante indiano Sunil Lanba.

De resto, é preciso lembrar que os governos de Brasília, Nova Déli, Moscou e Joanesburgo já mantém uma interação político-econômica de certa intensidade no âmbito do BRICS, grupo de países emergentes que, engrossado pela China, passou a funcionar, em 2009, por meio de reuniões de cúpula anuais.

Azerbaijão 

Mosiwa Hlongwane viajou à Rússia no período de 27 a 31 de julho (três semanas depois de ter completado 56 anos de idade), para participar das festividades do 322º Aniversário da Marinha Russa – criada em 30 de outubro de 1696 por um decreto do jovem Czar Pedro I da Rússia (mais conhecido como Pedro, O Grande).

A data foi comemorada com uma parada naval de 39 embarcações, 38 aeronaves e mais de 4.000 militares – evento presidido pelo presidente Vladimir Putin no Rio Neva que, além do almirante sul-africano, reuniu, entre outros convidados estrangeiros, chefes e representantes das marinhas da Índia, Paquistão, Coreia do Sul, Tailândia e Indonésia. Todos devidamente obsequiados com reuniões privadas de trabalho com o chefe da Armada Russa, e com visitas ao Museu Naval Central de São Petersburgo e ao Museu do Estado Hermitage (um dos maiores museus de arte do mundo), também sediado na cidade.

Na Rússia, o Comandante da Força Naval sul-africana sentiu-se à vontade.

Durante as décadas de 1980 e 1990 ele cumpriu estudos básicos de Navegação e cursos de aperfeiçoamento nas escolas da Marinha do Azerbaijão, em Baku, dentro da Doutrina Naval preconizada pela antiga União Soviética. Muitos de seus professores eram oficiais da Frota Vermelha.

Nada a ver, claro, com a formação de qualquer chefe naval brasileiro.

Desde o fim da 2ª Guerra Mundial a MB vem mantendo escrupulosa distância da Marinha russa (tratada, nos anos da Guerra Fria, como inimiga) e das suas ofertas de meios e de equipamentos.

Akula II 

Mas isso não tem impedido os oficiais lotados na Comissão Naval Brasileira na Europa, sediada em Londres, de visitar, regularmente, o Salão Naval de São Petersburgo – principal mostra de sistemas navais russos.

Em junho de 2017, a agência de notícias russa Itar Tass informou que dois oficiais da Marinha do Brasil haviam estado no estaleiro onde se encontrava em construção uma corveta do Projeto 20382 Classe Tiger, o que indicaria interesse da MB nesse projeto.

Em Brasília, o Centro de Comunicação Social da Marinha emitiu nota oficial, esclarecendo que a visita fora efetivamente realizada, mas apenas para permitir que os militares, que participavam do Salão de São Petersburgo, conhecessem as características do escolta russo, que possui pontos em comum com o programa em andamento para aquisição de um projeto que sirva à nova classe de corvetas Tamandaré.

Até uns dez anos atrás, o Comando Naval Russo enxergava a Marinha do Brasil com potencial semelhante ao da Força Naval indiana.

Prova disso é que, conforme o Poder Naval pôde apurar, no fim do segundo mandato do presidente Luis Inácio Lula da Silva, a Marinha Russa propôs transferir para a Esquadra Brasileira, por meio de um leasing, dois submarinos nucleares classe Akula II – um tipo de cooperação que ela já havia iniciado com a Marinha da Índia.

Entre meados dos anos de 1980 e o início dos anos de 2000, os pesados Akula, de 8.500 toneladas à superfície e quase 14.000 toneladas submersos, constituíram a principal capacidade ofensiva da Armada russa.

Sete modelos Akula I foram comissionados pelos russos entre 1984 e 1990, um modelo II começou a operar em 1995, e um Akula III foi incorporado em 2001. O navio recebido com maior aceitação pelos chefes navais russos foi, entretanto, o Akula Improved, variante melhorada do Akula I. Nada menos do que sete desses barcos entraram em serviço no período de 1991 a 2009.

Diante do oferecimento da Marinha russa, e mediante autorização expressa do então presidente Lula, o ministro da Defesa da época, Nelson Jobim, autorizou que dois oficiais da MB (um deles, engenheiro naval) fossem à Rússia conhecer o classe Akula II.

Os relatórios desses militares retrataram a imponência do submarino, de 113,3 m de comprimento, que, na Força Naval Russa, exigia uma tripulação de 31 oficiais e 31 subalternos.

Mas, em Brasília, o ministro Jobim concluiu que:
 
(a) o Akula II era um submarino grande demais para ser operado pela Força de Submarinos da Esquadra;

(b) o leasing perturbaria enormemente o esforço que a MB fazia para desenvolver o seu próprio submarino de propulsão nuclear, desagradando os almirantes que defendiam o projeto com unhas e dentes; e 

(c) a aproximação com os russos arriscava criar arestas importantes com a Marinha dos Estados Unidos. O assunto foi, então, abandonado.

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