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EUA e Rússia revivem a Guerra Fria no Oriente Médio com duas cúpulas

Reuniões paralelas, na Polônia e na Rússia, representaram a revitalização do rompimento entre as potências sobre o Irã, a guerra na Síria e o conflito entre Israel e a Palestina
Juan Carlos Sanz e María R. Sahuquillo | El País
Sochi / Jerusalém - Em 1991, a Conferência de Madri estabeleceu um modelo para o diálogo multilateral no Oriente Médio após o fim da Guerra Fria, que havia colocado Washington contra Moscou na disputa pela hegemonia em uma região estratégica. Transcorridos mais de 27 anos, dois conclaves paralelos representaram nesta quinta-feira em Varsóvia (Polônia) e Sochi (Rússia) a revitalização do rompimento entre as potências sobre o Irã, a guerra na Síria e o conflito israelo-palestino. Os Estados Unidos e a Rússia, copresidentes em Madri em 1991, já não atuam mais como mediadores para aliviar as tensões e, mais uma vez, assumem um lado entre as partes conflitantes.

No fórum da capital polonesa, a diplomacia dos EUA chegou a um impasse ao reunir mais de 60 países em uma reu…

Rússia envia forte sinal para EUA e OTAN ao implantar S-300 na Síria, acredita politólogo

O Ministério da Defesa da Rússia concluiu em 2 de outubro o fornecimento de componentes de vários sistemas de defesa antiaérea S-300 para a Síria. Em entrevista à Sputnik Internacional, o analista político Ghassan Kadi compartilhou seu ponto de vista sobre a instalação dos S-300 e como isso poderia influenciar a situação atual da região.


Sputnik

Segundo ele, a decisão de implantar unidades S-300 repercutirá mais alto no cenário político regional e internacional do que no militar.

Sistema de mísseis antiaéreos S-300 em competição internacional realizada como parte dos Jogos Internacionais do Exército 2016 no campo de treinamento russo de Ashuluk
S-300 Favorit © Sputnik / Kirill Kallinikov

O especialista ressaltou que a presença russa em Damasco foi autorizada pelo governo sírio e isso acarretou o descontentamento dos EUA e de Israel.

"Se o papel da Rússia na Síria tinha um 'problema' antes da implantação dos S-300, o problema teria sido o fato de a Rússia respeitar o direito internacional e manter acordos", salientou.

Enquanto Moscou tentou preservar o frágil equilíbrio de poder na região e manteve seus acordos para evitar o confronto com Israel e OTAN, estes aparentemente não optaram por cumprir o acordo, opinou Kadi.

"Houve muitas violações especificamente do acordo russo-israelense, todas feitas por Israel, mas desta vez, com a queda do Il-20, a qual a Rússia diz ser o resultado de manobras deliberadas israelenses, a Rússia está dizendo que a linha vermelha foi cruzada. É por isso que eu digo novamente que a implantação do S-300 é uma decisão tanto política quanto militar", disse ele.

No início de outubro o ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, anunciou que Moscou havia finalizado a entrega de 49 componentes dos sistemas de defesa antiaérea S-300 à Síria. Tal medida foi tomada após a derrubada acidental do avião russo pelas defesas aéreas síria. A aeronave alegadamente foi usada como escudo pela Força Aérea de Israel e provocou a morte de 15 militares que seguiam a bordo.

Em meio a isso, surgiram relatos sugerindo que a Força Aérea dos EUA poderia usar seus caças furtivos F-22 e aviões F-16CJ, projetados para destruir as defesas aéreas inimigas na Síria, em resposta à entrega dos S-300. Segundo o analista, essa medida não representa um desafio para as defesas aéreas sírias ou russas.

"Mesmo que as armas americanas que você mencionou possam 'bater' o S-300, segundo o ministro da Defesa russo Shoigu, a modernização do pacote de sistemas de defesa antiaérea da Síria não está restrita apenas aos S-300. Isso incluiu sistemas automatizados de gerenciamento de defesa aérea, bem como dispositivos de interferência de comunicação que desabilitam a navegação por satélite", destacou o analista político.

Kadi considerou as novas armas apresentadas pelo presidente russo em 1º de março de 2018 como "uma mensagem alta e clara para a OTAN" sobre as capacidades militares incomparáveis da Rússia e que não há nenhuma possibilidade de tensões entre a organização e o país eslavo.

"Com toda a turbulência atual e o estrangulamento econômico infligido à América por sua dívida, se tal confronto ocorrer, a hora para isso ainda não chegou", opinou ele.

O analista político sugeriu que os S-400 instalados anteriormente na base aérea de Hmeymim, na Síria, foram amplamente utilizados como um impedimento, enquanto que agora parece que a Rússia tomou a decisão política de usar as unidades S-300 e S-400 para proteger a Síria de intrusos.

"A implantação [dos S-300], as razões por trás disso e a maneira como foi anunciada, é uma decisão política tomada pela Rússia para dizer à OTAN e a Israel que basta, que a Rússia se esforçou para manter os acordos e ao direito internacional, mas seus ‘parceiros ocidentais' não aderiram à sua parte do acordo", concluiu Kadi.

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