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Putin ameaça retaliar se EUA instalarem mísseis na Europa

Em seu discurso sobre o estado da nação, presidente russo faz ataques a Washington e promete apontar seu arsenal para os Estados Unidos e para o continente europeu se mísseis americanos atravessarem o Atlântico.
Deutsch Welle

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, alertou nesta quarta-feira (20/02) que seu país responderá a um possível envio de mísseis americanos à Europa, fazendo com que não apenas os países que receberem esses armamentos se tornem alvos, mas também os Estados Unidos.


Em seu discurso anual sobre o estado da nação em Moscou, Putin elevou o tom ao comentar uma nova e potencial corrida armamentista. Ele afirmou que a reação russa a um possível envio seria rigorosa e que as autoridades em Washington – algumas das quais estariam obcecadas com o "excepcionalismo" americano – deveriam calcular os riscos antes de tomar qualquer medida.

"É o direito deles de pensar da forma que quiserem. Mas eles sabem fazer cálculos? Tenho certeza que sabem. Deixemos que eles cal…

Analista chama de utópica a ideia de criar exército europeu

A ideia da União Europeia de criar suas próprias Forças Armadas é uma utopia, declarou o chefe do centro das pesquisas geopolíticas Eurocontinent, Pierre-Emmanuel Thomann.


Sputnik

O presidente francês Emmanuel Macron propôs criar um "verdadeiro exército europeu" para proteger a Europa "da China, Rússia e até dos Estados Unidos da América". A ideia foi apoiada pela chanceler da Alemanha, Angela Merkel.


Soldados do exército francês durante exercício militar
Militares do Exército francês © AFP 2018 / SEBASTIEN BOZON

"A ideia de exército europeu é uma utopia porque os europeus nunca chegarão ao acordo sobre comando integrado. Particularmente, porque a França tem armas nucleares, mas a Alemanha — não. A França, ao contrário da Alemanha, também é membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas", comentou à Sputnik o especialista.

Segundo ele, os dois países têm interesses geopolíticos diferentes. "A França realmente gostaria de ver os países da UE cooperarem na esfera militar como Estados soberanos sob sua liderança, já a declaração de Macron sobre o exército europeu deveria ser vista como um slogan político na corrida para as eleições ao Parlamento Europeu em maio de 2019. Ela não reflete a verdadeira posição francesa" destacou Thomann.

O analista opina que o presidente francês aposta em realizar operações militares conjuntas com a UE, visto que "Paris quer ser capaz de agir na região do Mediterrâneo, no Oriente Médio e na África". Macron queria ter apóio dos europeus para se defender da ameaça crítica do flanco sul, em particular, do terrorismo islâmico, enquanto o flanco oriental da Europa está em segundo lugar, ressaltou o geopolítico.

De acordo com ele, Berlim "está preocupada com o flanco oriental da Europa". "Para a Alemanha, que sempre foi membro da OTAN, o exército europeu é um pilar da Aliança, por isso Berlim segue em maior grau os interesses geopolíticos dos EUA para garantir um contrapeso à Rússia", opina Thomann.

Por essa razão a Alemanha tem como prioridade a concepção da Cooperação Estruturada Permanente (PESCO, na sigla em inglês) para realizar projetos conjuntos, mas em sinergia com a OTAN, já que Berlim olha com cuidado para a ideia de Macron sobre uma estrutura independente da União Europeia e da organização, considera o analista.

"Os alemães não estão interessados em defender os interesses da França na região do Mediterrâneo e na África", disse à Sputnik Thomann.

Em 2017, a União Europeia aprovou o documento sobre o lançamento da Cooperação Estruturada Permanente (PESCO) para aprofundar a cooperação no domínio da defesa. O PESCO permite elaborar conjuntamente forças e meios militares e realizar operações na esfera da defesa e segurança. Vinte e cinco países, inclusive os que não são membros da OTAN, expressaram a intenção de começar a implementação do PESCO. Em junho de 2018, nove países europeus assinaram o protocolo sobre a criação de forças europeias de reação imediata.

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