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EUA e Rússia revivem a Guerra Fria no Oriente Médio com duas cúpulas

Reuniões paralelas, na Polônia e na Rússia, representaram a revitalização do rompimento entre as potências sobre o Irã, a guerra na Síria e o conflito entre Israel e a Palestina
Juan Carlos Sanz e María R. Sahuquillo | El País
Sochi / Jerusalém - Em 1991, a Conferência de Madri estabeleceu um modelo para o diálogo multilateral no Oriente Médio após o fim da Guerra Fria, que havia colocado Washington contra Moscou na disputa pela hegemonia em uma região estratégica. Transcorridos mais de 27 anos, dois conclaves paralelos representaram nesta quinta-feira em Varsóvia (Polônia) e Sochi (Rússia) a revitalização do rompimento entre as potências sobre o Irã, a guerra na Síria e o conflito israelo-palestino. Os Estados Unidos e a Rússia, copresidentes em Madri em 1991, já não atuam mais como mediadores para aliviar as tensões e, mais uma vez, assumem um lado entre as partes conflitantes.

No fórum da capital polonesa, a diplomacia dos EUA chegou a um impasse ao reunir mais de 60 países em uma reu…

Rússia apreende navios ucranianos próximo à costa da Crimeia após disparar contra eles

Segundo a Ucrânia, três marinheiros ficaram feridos.


Reuters

A Rússia capturou três navios ucranianos na costa da Crimeia, região anexada à Rússia, neste domingo (25), após ter aberto fogo contra as embarcações e ferido marinheiros. Ação tem risco de provocar uma nova e perigosa crise entre os dois países.

Dois navios da marinha ucraniana navegam perto da Crimeia.  — Foto: ASSOCIATED PRESS
Dois navios da marinha ucraniana navegam perto da Crimeia. — Foto: ASSOCIATED PRESS

O serviço federal de segurança russo (FSB) declarou que seus barcos de patrulha de fronteira capturaram os navios ucranianos no Mar Negro e usaram armas para forçá-los a parar, informaram as agências de notícias russas.

A Ucrânia negou que seus navios tivessem feito algo de errado e o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, declarou que vai propor ao parlamento declaração da lei marcial no país nesta segunda (26). A lei restringiria as liberdades civis e daria maior poder às instituições estatais.

Ação russa

O FSB disse que foi forçado a agir porque os navios - dois pequenos navios de artilharia blindados e um rebocador - tinham entrado ilegalmente em suas águas territoriais, tentado ações ilegais e ignorado os avisos para parar enquanto manobravam perigosamente.

"As armas foram usadas com o objetivo de parar os navios de guerra ucranianos", disse o serviço de segurança em comunicado enviado à mídia estatal russa.

"Como resultado, todos os três navios da marinha ucraniana foram apreendidos nas águas territoriais da Federação Russa no Mar Negro."

O FSB disse que três marinheiros ucranianos foram feridos no incidente e estavam recebendo cuidados médicos. Suas vidas não estavam em perigo, anunciou.

Com as relações ainda cruas após a anexação da Crimeia pela Rússia e seu apoio a uma insurgência pró-Moscou no leste da Ucrânia, o incidente pode levar os dois países a um conflito mais amplo.

A Rússia anexou a Crimeia em 2014 e depois construiu uma gigantesca ponte rodoviária ligando-a ao sul do país, que atravessa o Estreito de Kerch - uma estreita faixa de água que liga o Mar Negro ao Mar de Azov, que abriga dois dos portos mais importantes da Ucrânia.

O controle russo da Crimeia, onde sua frota do Mar Negro está baseada, e da ponte significa que o país é capaz de controlar os fluxos de navios.

A crise começou neste domingo, depois que a Rússia impediu que os três navios ucranianos entrassem no Mar de Azov, colocando um navio de carga sob a ponte.

Resposta da Ucrânia

A Ucrânia negou as declarações russas, acusou o país de agressão militar, e pediu que a comunidade internacional se mobilizasse para punir a Rússia.

Uma testemunha da Reuters disse que a Rússia apoiou seu bloqueio com pelo menos dois aviões Sukhoi Su-25. A TV estatal russa disse que helicópteros de combate foram enviados à área.

A marinha ucraniana disse nas redes sociais que seis de seus marinheiros haviam sido feridos na apreensão subsequente de seus navios. E que o ataque russo ocorreu depois que eles recuaram e se dirigiram de volta para Odessa, porto no Mar Negro onde tinham começado sua jornada.

"Depois de deixar a zona de 12 milhas, o FSB (serviço de segurança) da Federação Russa abriu fogo contra a flotilha pertencente às forças armadas da Ucrânia", afirmou a marinha ucraniana em um comunicado.

A União Europeia afirmou que esperava que a Rússia restaurasse a liberdade de passagem através do Estreito de Kerch e pediu aos dois lados que agissem com a máxima moderação para desescalar a situação. Um porta-voz da OTAN fez um apelo semelhante aos dois lados.

Risco de conflito maior


Um tratado bilateral dá à Rússia e à Ucrânia o direito de usar o Mar de Azov, que fica entre eles e está ligado pelo Estreito de Kerch ao Mar Negro. Desde que a Rússia anexou a Crimeia, a tensão aumentou com os dois países reclamando sobre atrasos e perseguição de navios.

Mais cedo neste domingo, o serviço de guarda de fronteiras da Rússia acusou a Ucrânia de não informar antes sobre a viagem dos três navios. Kiev negou.

A Rússia disse que os navios ucranianos manobraram perigosamente e ignoraram suas instruções com o objetivo de aumentar as tensões.

Políticos russos denunciaram Kiev, dizendo que o incidente parecia uma aposta calculada de Poroshenko para aumentar sua popularidade antes das eleições do próximo ano.

Em outro sinal de crescentes tensões, a agência estatal russa de notícias RIA informou que forças ucranianas começaram a bombardear áreas residenciais no leste da Ucrânia, controladas por separatistas pró-Moscou.

A Reuters não confirmou isso de forma independente e a agência de notícias Interfax informou que os separatistas negaram que houvesse uma escalada incomum.

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