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Putin ameaça retaliar se EUA instalarem mísseis na Europa

Em seu discurso sobre o estado da nação, presidente russo faz ataques a Washington e promete apontar seu arsenal para os Estados Unidos e para o continente europeu se mísseis americanos atravessarem o Atlântico.
Deutsch Welle

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, alertou nesta quarta-feira (20/02) que seu país responderá a um possível envio de mísseis americanos à Europa, fazendo com que não apenas os países que receberem esses armamentos se tornem alvos, mas também os Estados Unidos.


Em seu discurso anual sobre o estado da nação em Moscou, Putin elevou o tom ao comentar uma nova e potencial corrida armamentista. Ele afirmou que a reação russa a um possível envio seria rigorosa e que as autoridades em Washington – algumas das quais estariam obcecadas com o "excepcionalismo" americano – deveriam calcular os riscos antes de tomar qualquer medida.

"É o direito deles de pensar da forma que quiserem. Mas eles sabem fazer cálculos? Tenho certeza que sabem. Deixemos que eles cal…

Analista político avalia previsões de almirante britânico sobre nova guerra mundial

A exacerbação das tensões com a Rússia é semelhante à situação que precedeu a eclosão da Primeira Guerra Mundial, afirmou recentemente o almirante Alan West, ex-comandante da Marinha britânica. O cientista político russo Anton Bredikhin comentou as declarações do militar.


Sputnik

Em uma entrevista ao Daily Star, o almirante destacou o perigo da situação criada entre Moscou e Kiev, em que o presidente ucraniano pede ajuda a membros da OTAN, alertando que navios da aliança poderiam ser posicionados no mar Negro.


Militares ucranianos durante manobras no polígono de Yavorov, região de Lvov, Ucrânia
Militares ucranianos © Sputnik / Stringer

West adicionou que a OTAN não se arriscaria a interferir em uma possível guerra em larga escala na Ucrânia, caso a Rússia começasse a usar "suas tropas" em Donbass, adicionando que, para evitar um conflito, os países ocidentais precisam exercer mais pressão sobre a Rússia.

Em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik, o cientista político Anton Bredikhin, diretor científico do Centro de Estudos Étnicos e Internacionais, comentou esta declaração.

"O próprio Reino Unido fez tudo para causar a 1ª e a 2ª Guerras Mundiais. Ao mesmo tempo, é difícil dizer que a situação atual é semelhante àquele período, é uma opinião pessoal […] o ex-comandante da Marinha Real da Grã-Bretanha não declarou guerra à Rússia. O formato de confronto híbrido continuará, as relações serão muito tensas, os escândalos continuarão, como no 'caso Skripal'", disse Bredikhin.

Na opinião do analista, "a Grã-Bretanha pode se tornar cúmplice de outras provocações da Ucrânia no mar de Azov e mar Negro", mas ao mesmo tempo, não se espera um conflito direto entre Rússia e Ocidente.

"O Reino Unido buscará novas alavancas de pressão sobre a Rússia, mas em muitos aspectos estas acabarão prejudicando a própria Europa. Pressionando a Rússia, a Europa só perderá […] e terá que executar essa política sob pressão dos EUA, prejudicando sua própria economia", concluiu o analista.

Em 25 de novembro, três navios da Marinha ucraniana foram detidos junto com 24 tripulantes por violarem a fronteira da Rússia. Após o ocorrido, o parlamento ucraniano aprovou a introdução da lei marcial em algumas regiões do país por 30 dias. O presidente russo, Vladimir Putin, classificou o incidente no estreito de Kerch de provocação, usada como pretexto para aplicar a lei e, dessa forma, adiar as eleições presidenciais ucranianas.

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