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General brasileiro em forças dos EUA atrapalha laços com Moscou e Pequim, diz especialista

A decisão do Brasil de enviar um oficial para integrar as Forças Armadas dos Estados Unidos deve atrapalhar as relações do país com importantes aliados, como China e Rússia. A avaliação é do especialista em Relações Internacionais Paulo Velasco, que conversou nesta segunda-feira com a Sputnik sobre esse polêmico assunto.
Sputnik

Na última semana, se tornou pública no Brasil a notícia de que o país indicará, até o final do ano, um general para assumir um posto no Comando Sul (SouthCom) dos EUA, que cobre América Central, Caribe e América do Sul, provocando controvérsias.


De acordo com o comandante responsável, o almirante Craig Faller, os interesses norte-americanos na região seriam ameaçados por Rússia, China, Irã, Venezuela, Cuba e Nicarágua, países com os quais o Brasil poderá ter relações prejudicadas por conta dessa situação, conforme acredita Velasco, professor adjunto de Política Internacional do Departamento de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (U…

EUA utilizam Venezuela para atingir interesses petrolíferos chineses, diz especialista

EUA pretendem afetar seriamente os interesses energéticos da China ao tentar derrubar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro.


Sputnik

Em entrevista à Sputnik, Oleg Matveychev, especialista político e professor da Universidade de Economia, acredita que a China é o objetivo da pressão norte-americana no Irã, assim como na Venezuela, observando que Donald Trump considera a China como seu principal rival desde antes mesmo de se tornar presidente.


Pôr do sol sobre a plataforma de petróleo.
CC BY 2.0 / Pete Markham / Pôr do sol sobre a plataforma de petróleo.

A guerra comercial entre os EUA e a China é um dos elementos do confronto geopolítico. Outro elemento são as tentativas de causar sérios danos aos interesses da China no mercado energético global, lembrando que tanto o Irã quanto a Venezuela colaboram estreitamente com os chineses no setor petrolífero, ressaltou o especialista.

A estabilidade energética da China depende de ambos os países. A China é o principal investidor na produção de petróleo, além de ser o principal importador dessa matéria-prima desses países.

Sendo assim, com o objetivo de atingir seus fins, os americanos aplicaram sanções às exportações de petróleo iraniano, além da proibição dos investimentos nos seus campos petrolíferos. Atualmente os EUA apoiam o golpe na Venezuela com o objetivo de afastar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, do poder.

Vale ressaltar que, recentemente, Maduro comunicou que a Venezuela planeja elevar o fornecimento de petróleo à China para 1 milhão de barris por dia, obtendo uma exportação três vezes maior para esse país.

Além disso, foi decidido dobrar a produção de petróleo no país em um prazo de um ano. Isso graças aos 28 acordos de cooperação assinados em Pequim entre a China e Venezuela, sendo que a maior parte dos acordos envolve a produção de petróleo, energia e mineração.

Na ocasião, também foi anunciado, em particular, que a Venezuela vendeu à empresa estatal chinesa China National Petroleum cerca de 9,9% das ações da Sinovensa, uma empresa conjunta entre os dois países. Após a conclusão do acordo, a China passará a controlar 49% das ações da empresa conjunta.

Perante essa situação, Oleg Matveychev acredita que o cenário estadunidense para uma mudança de poder na Venezuela pode ocasionar sérios para os interesses da China no país.

"Claro que haverá verdadeiras jogadas astuciosas contra a China. Principalmente no mercado mundial de petróleo. Os americanos sabem como manipular o petróleo para beneficiar seus próprios interesses políticos. Para eles, Hugo Chaves era um grande problema no seu tempo, e agora surgiu um pretexto para se vingarem. Hugo Chaves nacionalizou a indústria petrolífera, atingindo os interesses dos EUA. O controle dos EUA sobre o petróleo venezuelano resultará em determinadas perdas para a Venezuela, visto que foi assinada uma série de acordos com a China. Eles terão de indenizar as partes com quem se quebram as relações [contratuais]", concluiu Oleg Matveychev.

Nesta sexta-feira (25), a China reagiu, pela segunda vez em dois dias, aos acontecimentos na Venezuela, o que pode confirmar indiretamente sua séria preocupação com os crescentes riscos relacionados aos seus interesses em um país com uma das maiores reservas de petróleo.

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