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De classe média e com alto nível de educação: o perfil dos terroristas do Sri Lanka

Polícia cingalesa identifica oito dos nove terroristas suicidas que cometeram os atentados de domingo
Macarena Vidal Liy | El País
Alto nível de educação, família de classe média ou média alta, com recursos econômicos próprios. Esse é o perfil dos nove terroristas suicidas que, segundo a polícia do Sri Lanka, lançaram os atentados de domingo em três hotéis de luxo e três igrejas, deixando pelo menos 359 mortos e mais de 500 feridos.

Pouco a pouco vão sendo conhecidos mais detalhe sobre como ocorreu o ataque terrorista mais sangrento da história do Sudeste Asiático. Para a polícia, já está comprovado o envolvimento de nove terroristas suicidas, entre eles uma mulher. As autoridades divulgaram os vídeos das câmeras de circuito fechado na paróquia de São Sebastião, em Negombo, nos arredores de Colombo, nos quais se vê o homem apontado como culpado pela explosão que matou, nessa igreja, pelo menos 110 pessoas. O vídeo mostra um jovem magro, de barba, carregando uma mochila grande e aparentem…

O desgaste dos militares brasileiros no poder

A imagem de seriedade que as Forças Armadas trouxeram ao governo Bolsonaro sofre com o rame-rame cotidiano da política, em que fatos antes corriqueiros se tornam crises


Por Helio Gurovitz | G1

Tenha-se a opinião que quiser dos militares, um fato é certo: transmitem imagem de seriedade, a gravidade inerente àqueles que lidam com a guerra e interesses essenciais da nação. Ao chamar seis ministros militares para seu governo, o presidente Jair Bolsonaro sabia contar com esse elemento. A seriedade deles serviria de contrapeso aos rompantes ideológicos e delírios turbulentos.

O presidente da República, Jair Bolsonaro, durante a cerimônia de transmissão de cargo do Ministério da Defesa — Foto: Marcos Corrêa/Presidência da República
O presidente da República, Jair Bolsonaro, durante a cerimônia de transmissão de cargo do Ministério da Defesa — Foto: Marcos Corrêa/Presidência da República

Basta olhar para as declarações do vice-presidente, general Hamilton Mourão, ou do chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, para perceber que há no governo gente madura, capaz de compreender toda a complexidade dos dilemas brasileiros.

Para os próprios militares, contudo, a situação é ambígua. De todas as conquistas da democracia brasileira, a mais relevante foi a profissionalização das Forças Armadas e seu afastamento da política. O envolvimento de generais, mesmo integrantes da reserva, no rame-rame cotidiano de Brasília trará a eles um custo inegável.

Tome a confusão em torno da declaração de Bolsonaro aceitando em tese uma base militar americana no Brasil. Anátema para as Forças Armadas, a ideia teve de ser desmentida com veemência.

Ou a promoção do filho de Mourão, funcionário de carreira no Banco do Brasil, a um cargo de melhor remuneração. Ou ainda a discussão sobre a inclusão da aposentadoria dos militares na proposta de reforma da Previdência que o governo deverá apresentar ao Parlamento.

Não tivessem os generais tamanha importância no (e para) o governo Bolsonaro, cada um desses episódios seria anódino. O primeiro não passaria de uma declaração desastrada; o segundo, de um assunto interno do banco; o terceiro, do lobby corriqueiro a que todo governo está habituado.

Na situação atual, se transformam em crise. Secundada pelo chanceler Ernesto Araújo e elogiada pelo secretário de Estado americano, Mike Pompeo, a ideia da base americana gerou incômodo profundo entre os militares do governo. O próprio desmentido é sinal de desgaste.

O filho de Mourão pode ter méritos para ser promovido e pode muito bem ter sido perseguido em gestões anteriores do BB. É ridículo supor que o próprio Mourão tenha relação com a promoção. Ainda assim, ela pega mal. Parece favorecimento, algo inaceitável num governo eleito brandindo a bandeira da moral e do combate à corrupção, sob a inspiração da gravidade e seriedade militares.

Há, enfim, a questão premente da reforma da Previdência. O ministro da Secretaria de Governo, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, defendeu que os militares sejam excluídos da nova proposta, assim como outras categorias com regimes de trabalho específicos.

É um argumento que pode lá ter sua validade. Noutra situação, deveria ser avaliado por seus méritos. Num governo com tamanha presença militar, a exclusão será inevitavelmente considerada um privilégio. Ainda mais num país como o Brasil, useiro e vezeiro em criar todo tipo de brecha e exceção para favorecer grupos de interesse.

Não é nada trivial a situação dos generais no ministério. Pela natureza do cargo, têm obrigação de imiscuir-se nas discussões políticas e serão alvo natural de investigações e denúncias na imprensa. Mas não deixam de ser militares, nem de emprestar, a cada ato ou declaração, todo o peso e imagem associado às Forças Armadas.

A democracia brasileira só ganha se, quatro décadas depois do fim da ditadura, puder contar com a competência e a seriedade dos quadros militares no poder, sem se preocupar com riscos de golpe ou ruptura institucional. O governo Bolsonaro também ganha com a imagem de seriedade e gravidade trazida por eles.

Os próprios militares, contudo, começam a sacrificar pouco a pouco essa mesma imagem, a cada controvérsia a que ela se associa. Quem perde, como instituição, são as próprias Forças Armadas, atingidas pelo desgaste inevitável daqueles que trocaram a caserna pela política.


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