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General brasileiro em forças dos EUA atrapalha laços com Moscou e Pequim, diz especialista

A decisão do Brasil de enviar um oficial para integrar as Forças Armadas dos Estados Unidos deve atrapalhar as relações do país com importantes aliados, como China e Rússia. A avaliação é do especialista em Relações Internacionais Paulo Velasco, que conversou nesta segunda-feira com a Sputnik sobre esse polêmico assunto.
Sputnik

Na última semana, se tornou pública no Brasil a notícia de que o país indicará, até o final do ano, um general para assumir um posto no Comando Sul (SouthCom) dos EUA, que cobre América Central, Caribe e América do Sul, provocando controvérsias.


De acordo com o comandante responsável, o almirante Craig Faller, os interesses norte-americanos na região seriam ameaçados por Rússia, China, Irã, Venezuela, Cuba e Nicarágua, países com os quais o Brasil poderá ter relações prejudicadas por conta dessa situação, conforme acredita Velasco, professor adjunto de Política Internacional do Departamento de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (U…

Opinião: Fim do INF é corrida armamentista à vista

Os americanos se desligaram de fato do tratado que regula as armas nucleares de médio alcance. Com isso, o futuro, sobretudo da Europa, ficou bastante mais sombrio, opina Max Hofmann.


Max Hofmann | Deutsch Welle

Sem dúvida, segundo todas as informações disponíveis, os Estados Unidos têm razão: com seus mísseis 9M729, a Rússia viola o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF). Segundo informações da DW, diversos serviços secretos ocidentais confirmam isso, independentemente. Então, por que se agarrar a um pacto que não é mais respeitado?


Planos e foto de míssil de médio alcance
Gráfico do Ministério da Defesa russo exibido em apresentação de novo sistema de mísseis

A corda-bamba na qual o mundo se equilibra, no mais tardar desde a eleição de Donald Trump como presidente dos EUA, perde uma importante rede de segurança. Pois os EUA abandonam o Tratado INF sem que haja uma perspectiva realista para um acordo substituto.

De russos e americanos, escuta-se repetidamente que essa medida na verdade se dirige aos chineses. Estes, de fato, estão basicamente desvinculados de tratados de desarmamento ou outros acertos limitadores e se armam em grande escala. Isso é um problema sobretudo para a Rússia. Do ponto de vista de Moscou, para poder ampliar o potencial de ameaça em direção ao Leste são necessários mísseis de médio alcance baseados em terra.

Também contra isso há pouco a ressalvar, do ponto de vista militar. Os próprios EUA observam com preocupação crescente os gastos armamentistas e militares da China. Mas, façam-me o favor, como é que justamente o abandono de um dos últimos grandes acordos sobre armas nucleares poderá melhorar a situação? Os americanos fazem assim o mesmo que os russos: eles ficam brincando com o pavio do fim do mundo.

Por toda parte, atualmente a mudança climática é invocada como possível golpe fatal para a humanidade. Pode ser, mas uma nova, descontrolada corrida armamentista entre Rússia e EUA, combinada com a China como nova potência militar mundial, faz o futuro parecer ainda mais sombrio.

Todos nós, mas em especial os europeus, enquanto peça no tabuleiro e potencial campo de batalha das superpotências, tivemos uma enorme sorte, na época da Guerra Fria, de que a tensão não tenha desembocado numa guerra nuclear. Durante a crise de Cuba, em 1962, isso quase aconteceu. Um motivo pelo qual esse pavoroso cenário pôde ser evitado foram os protagonistas políticos da época, em especial John F. Kennedy e Nikita Krushov.

Hoje em dia, é incomparavelmente mais difícil encontrar políticos dessa velha, tendencialmente prudente escola por trás dos botões das armas nucleares. Por sorte, até há pouco Trump se mantivera basicamente fora das questões militares, e na Otan insistia antes por dinheiro e contribuições dos parceiros de aliança.

Ao que tudo indica, esse tempo passou. O presidente russo, Vladimir Putin, prefere brincar com fogo no oeste de seu gigantesco império. Pois, por mais que seja convincente a argumentação da ameaça chinesa, isso não justifica que ele fique brandindo seus mísseis de médio alcance na cara dos europeus.

Portanto não só a União Europeia, mas também o resto do mundo, em breve não terá mais o Tratado INF. Dos grandes instrumentos de limitação e desarmamento nuclear, sobra apenas o acordo New START, que sairá de vigor em 2020. No mais tardar aí, teremos exatamente o contrário daquilo de que o planeta precisa, que seria um acordo abrangente, de escala mundial, para controle das armas nucleares. Nada mais tem boas perspectivas de longo prazo, sobretudo considerando-se os muitos países menores que também cultivam ambições nucleares.

Desse modo, os atuais políticos das superpotências estão legando para as gerações futuras um mundo realmente assustador. É certo que muitos na Europa quase não sentem qualquer ameaça, e a maioria nem sabe mais como é uma guerra. Em si, isso é algo fantástico, mas as chances de que permaneça assim pioraram mais ainda após a retirada americana do Tratado INF.

O ser humano tem memória curta, e isso também se aplica às nações e seus presidentes. A Rússia e os EUA precisam se conscientizar o quanto antes sobre quão terrivelmente devastadoras são as forças com que eles estão brincando.

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