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Militares juntam-se à polícia em protesto dos "coletes amarelos". Há 31 detidos

Os militares da operação antiterrorista "Sentinela" foram mobilizados para proteger as principais instituições francesas. Ao final da manhã, os coletes amarelos eram ainda em pequeno número na capital e quase invisíveis entre a população.
Diário de Notícias

As forças armadas francesas juntaram-se à polícia, este sábado, em Paris, para enfrentar o 19º fim de semana consecutivo de protestos dos coletes amarelos contra o governo do presidente Emmanuel Macron. Ao final da manhã, com os locais habituais de manifestação interditos e o reforço militar junto às principais instituições francesas, os "coletes amarelos" passavam quase despercebidos entre turistas e parisienses.

Segundo a Reuters, o governo francês decidiu mobilizar os militares da operação antiterrorista "Sentinela", depois de ter proibido os manifestantes de se reunirem nos Campos Elísios, onde no último fim de semana dezenas de lojas foram destruídas e algumas completamente pilhadas.

Além da presença …

Os altos riscos de uma intervenção militar na Venezuela

Opção é tida como improvável, apesar de não ser descartada por EUA e pela oposição venezuelana. Mas consequências de uma ação que não tem precedentes na América do Sul seriam enormes e imprevisíveis.


Michael Knigge | Deutsch Welle

A recusa das forças militares leais a Nicolás Maduro em permitir a entrada de ajuda externa na Venezuela neste fim de semana levou a uma escalada da tensão na região, com os Estados Unidos insistindo que todas as opções estão sobre a mesa. Isso incluiria se envolver militarmente no conflito entre chavistas e a oposição.


Venezuela Cucuta - Unruhen an der Grenze zwischen Kolumbien und Venezuela (Reuters/M. Bello)

Após os confrontos, o presidente da Assembleia Nacional Juan Guaidó, reconhecido pelos EUA e por grande parte da União Europeia e da América Latina como o presidente interino da Venezuela, pediu à comunidade global que considere "todas as medidas para libertar" o país.

Na segunda-feira, o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, que viajou à Colômbia para se encontrar com o presidente do país, Iván Duque, e Guaidó, anunciou novas sanções à Venezuela e prometeu que Washington permanecerá com Guaidó "até que a liberdade seja restabelecida" no país.

Enquanto isso, em Bruxelas, a União Europeia (UE) rejeitou nesta segunda-feira (25/02) uma intervenção armada no país. "Devemos evitar uma intervenção militar", disse a porta-voz da chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini.

Em Bogotá, o Grupo de Lima, que reúne vários países latino-americanos, incluindo o Brasil e a Colômbia, também descartou a intervenção militar e defendeu uma solução pacífica.

A rejeição aberta da UE e do Grupo de Lima à opção militar é oportuna, segundo analistas dos EUA, porque a probabilidade de uma intervenção americana aumentou desde o fim de semana.

"A opção militar é mais provável agora do que em qualquer outro momento desde o início da crise na Venezuela", avalia Michael Shifter, diretor do Inter-American Dialogue (IAD), um centro de estudos em Washington especializado no hemisfério ocidental.

"É mais provável agora do que era em 23 de fevereiro, porque o esforço para fazer entrar ajuda na Venezuela fracassou", concorda o cientista politico Gregory Weeks, da Universidade da Carolina do Norte.

Embora a probabilidade tenha aumentado para ambos os especialistas, que a coloca entre 30% e 40%, eles ainda avaliam uma intervenção dos EUA como improvável. Isso porque não há apoio na Europa e na América Latina.

"Sequer Bolsonaro, no Brasil, diz tal coisa", observa Weeks. Mas ele pondera que o atual clima político, que torna improvável uma intervenção, pode mudar rapidamente. "No momento, não temos uma faísca em especial", frisa o especialista. "Mas já vimos isso no passado. E isso é algo que eu acho que definitivamente aumentaria a chance e mudaria o cálculo da intervenção armada."

Tal "faísca" que poderia mudar o cálculo político pode ser o aumento da violência contra a oposição e de mortes em protestos, a prisão de Guaidó ou um ataque contra a equipe diplomática dos EUA na Venezuela.

Os efeitos seriam imprevisíveis. Embora Washington tenha um longo histórico de interferência na América Latina, nada seria comparável a uma intervenção armada na Venezuela para derrubar Maduro.

"Os EUA nunca enviaram tropas para derrubar um regime na América do Sul", diz Shifter, acrescentando que a intervenção armada de Washington no Panamá, há cerca de 30 anos, mencionada algumas vezes, não é uma comparação adequada.

"É um país muito menor e muito diferente, que teve laços muito mais estreitos com os EUA do que a Venezuela, o que tornou a intervenção de Washington, numa época muito diferente, comparativamente fácil", argumenta. "A Venezuela não é o Panamá", sublinha Shifter.

"Não acho que realmente tenhamos uma comparação à altura", diz Weeks, observando que os EUA tipicamente intervieram militarmente em países muito menores e muito mais dependentes, na América Central e no Caribe.

As repercussões negativas de uma intervenção militar dos EUA são tão grandes e imprevisíveis que ambos os estudiosos dizem ser contra essa opção.

"Atualmente, não há boas opções, porque até mesmo o aumento das sanções prejudicaria principalmente o cidadão venezuelano médio", avalia Weeks. "Ainda assim, eu acho que a opção militar seria a pior", opina, justificando que tal ação traria consigo mais violência e morte, sem garantia de sucesso.

Shifter avalia que os EUA seriam bem-sucedidos em derrubar militarmente o governo de Maduro, mas pondera que o maior problema viria depois. "Há diferentes tipos de milícias no país, o grupo guerrilheiro colombiano ELN opera na Venezuela e ainda há muitos chavistas que provavelmente estarão prontos a defender o que ainda veem como a revolução venezuelana", argumenta. Para ele, tudo isso representa uma mistura volátil e perigosa para uma força militar estrangeira.

"Algumas pessoas podem dizer que os EUA entrariam e se livrariam de Maduro, e todo mundo iria festejar e receber os EUA de braços abertos. E aí Guaidó presidiria um governo de transição, realizaria eleições e tudo seria muito simples e bom", diz Shifter. "Mas não tenho tanta certeza de que tudo sairia dessa maneira."

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