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Militares juntam-se à polícia em protesto dos "coletes amarelos". Há 31 detidos

Os militares da operação antiterrorista "Sentinela" foram mobilizados para proteger as principais instituições francesas. Ao final da manhã, os coletes amarelos eram ainda em pequeno número na capital e quase invisíveis entre a população.
Diário de Notícias

As forças armadas francesas juntaram-se à polícia, este sábado, em Paris, para enfrentar o 19º fim de semana consecutivo de protestos dos coletes amarelos contra o governo do presidente Emmanuel Macron. Ao final da manhã, com os locais habituais de manifestação interditos e o reforço militar junto às principais instituições francesas, os "coletes amarelos" passavam quase despercebidos entre turistas e parisienses.

Segundo a Reuters, o governo francês decidiu mobilizar os militares da operação antiterrorista "Sentinela", depois de ter proibido os manifestantes de se reunirem nos Campos Elísios, onde no último fim de semana dezenas de lojas foram destruídas e algumas completamente pilhadas.

Além da presença …

Crise na Venezuela: quanta ajuda humanitária tem chegado ao país?

O governo da Venezuela negou permissão de entrada para centenas de toneladas de suprimentos enviados como ajuda humanitária


Jack Goodman | BBC Reality Check

Ao chegarem à fronteira, caminhões com suprimentos enviados por Estados Unidos, Brasil e Colômbia foram obrigados a dar meia-volta.


Caminhões vindos dos Estados Unidos, Brasil e Colômbia foram obrigados a dar meia-volta ao chegar à fronteira.
Caminhões vindos dos Estados Unidos, Brasil e Colômbia foram obrigados a dar meia-volta ao chegar à fronteira | Reuters

Segundo a Federação Farmacêutica da Venezuela, o país latino-americano não tem hoje 85% dos remédios de que precisa.

Em resposta aos carregamentos enviados, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, afirmou que não há crise humana no país e que as ofertas de ajuda internacional são parte de uma estratégia americana para derrubar seu governo.

Mas, ainda assim, a Venezuela não chegou a recusar completamente a ajuda oferecida por outros países e organismos estrangeiros.

Ajuda da Rússia

Na semana passada, Maduro anunciou que a Rússia enviou 300 toneladas de alimentos e materiais médicos para a Venezuela, que chegariam no dia 20 de fevereiro.

Mas, ao ser questionado pela BBC, o governo venezuelano não deu detalhes sobre o conteúdo dos carregamentos nem permitiu filmá-los.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse não ter informações sobre o envio. Questionado pela BBC, o governo russo não deu esclarecimentos sobre a carga.

Apenas a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), que trabalha com a Organização Mundial da Saúde (OMS), concedeu informações sobre o material à BBC.

Segundo a ONG, a Venezuela recebeu um carregamento russo com 7,5 toneladas no dia 21 de fevereiro.

Houve uma entrega semelhante em abril de 2018 - a OMS supervisionou a entrega de 50 toneladas de remédios e suprimentos vindos de diversos países.

Que tipo de ajuda humanitária está chegando à Venezuela?

Grupos não governamentais que atuam dentro da Venezuela dizem que o país sofre uma escassez grave de materiais médicos.

Segundo o serviço de rastreamento financeiro da ONU, o FTS, que coleta dados sobre fundos de ajuda humanitária no mundo, foram enviados US$ 24 milhões para a Venezuela em 2018.

As agências que receberam mais dinheiro para ajudar o país foram a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o Conselho Norueguês de Refugiados (ONG que trabalha com refugiados em 32 países).

Isso inclui cerca de US$ 9 milhões arrecadados por meio do fundo de resposta a emergências da ONU, para melhorar a situação de nutrição no país, em projetos coordenados por agências internacionais como a Agência da ONU Para Refugiados (Acnur) e a OMS.

Neste ano, já foram doados outros US$ 15 milhões, segundo o FTS.

Desde novembro, agências da organização estavam aumentando suas atividades para dar conta das "urgentes necessidades médicas, de nutrição e proteção".

A Comissão Europeia foi o maior doador para organizações que trabalham na Venezuela em 2018, segundo a base de dados. Ela envia ajuda humanitária ao país desde 2016, em projetos ligados a alimentação, água, higiene e saneamento.

Em junho passado, anunciou um pacote de 35 milhões de euros (quase US$ 40 milhões) que incluía ajuda humanitária para pessoas dentro do país, medidas para proteger refugiados em países vizinhos e apoio para desenvolvimento.

Em seguida, em dezembro, houve um pacote emergencial de 20 milhões (quase U$ 23 milhões) e foi anunciado outro plano, de 5 milhões de euros (US$ 5,6 milhões), para este ano.

A título de comparação, o governo dos EUA, que apoia o líder da oposição e autoproclamado presidente do país, Juan Guaidó, disse ter oferecido o equivalente a US$ 20 milhões em suprimentos.

Agravamento da crise

A situação na Venezuela vem se deteriorando sensivelmente. Imagens recentes mostram um país abalado pela pobreza e pela hiperinflação.

Mas a crise não começou agora. A fome fez mais de 64% dos venezuelanos declararem, em uma pesquisa, terem perdido, em média, 11 kg no ano passado. A violência esvazia as ruas das grandes cidades quando anoitece. E a situação provocou um êxodo em massa para países vizinhos.

Em novembro, a ONU informou que 3 milhões de venezuelanos deixaram o país nos últimos anos.

A derrocada econômica sofre forte influência do comércio do petróleo, que domina a economia da Venezuela e representa praticamente a totalidade de suas receitas de exportação.

A Venezuela tem uma das maiores reservas de petróleo do mundo, mas, na última década, a produção do recurso entrou em colapso.

Entre 2004 e 2015, nos governos de Hugo Chávez e no início do de Maduro - eleito em 2013 após a morte de seu padrinho político, no mesmo ano -, o país recebeu US$ 750 bilhões provenientes da venda de petróleo.

Mas, em 2014, o preço do petróleo desabou. No início daquele ano, depois de ter alcançado um pico de US$ 138,54 em 2008, o preço do barril de petróleo era negociado a cerca de US$ 100 e caiu pela metade no fim do ano, mantendo essa queda significativa até este ano, quando voltou a atingir o patamar de US$ 80.

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