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Trump não precisa de autorização do Congresso para declarar guerra ao Irã, diz analista

Donald Trump pode não precisar do aval do Congresso para declarar guerra contra o Irã, algo que seus conselheiros "vêm construindo discretamente" um caso em meio a sanções crescentes, informa Jonathan Allen, da NBC News.
Sputnik

O articulista afirma que os principais elementos do plano incluem ligar a al-Qaeda ao Irã para retratar a República Islâmica como uma ameaça terrorista aos EUA, "o que é exatamente o que as autoridades do governo vêm fazendo nas últimas semanas".

"Isso poderia dar a Trump a justificativa que ele precisa para combater o Irã sob a resolução de uso de força de 2001, sem aprovação do Congresso", Allen argumenta, acrescentando que o Congresso dificilmente concederá ao presidente americano "nova autoridade para atacar o Irã nas circunstâncias atuais ”.

Os comentários do autor vêm depois que o New York Times citou vários altos funcionários norte-americanos não identificados dizendo que “[o presidente Donald] Trump foi firme em dizer que…

Crise na Venezuela: quanta ajuda humanitária tem chegado ao país?

O governo da Venezuela negou permissão de entrada para centenas de toneladas de suprimentos enviados como ajuda humanitária


Jack Goodman | BBC Reality Check

Ao chegarem à fronteira, caminhões com suprimentos enviados por Estados Unidos, Brasil e Colômbia foram obrigados a dar meia-volta.


Caminhões vindos dos Estados Unidos, Brasil e Colômbia foram obrigados a dar meia-volta ao chegar à fronteira.
Caminhões vindos dos Estados Unidos, Brasil e Colômbia foram obrigados a dar meia-volta ao chegar à fronteira | Reuters

Segundo a Federação Farmacêutica da Venezuela, o país latino-americano não tem hoje 85% dos remédios de que precisa.

Em resposta aos carregamentos enviados, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, afirmou que não há crise humana no país e que as ofertas de ajuda internacional são parte de uma estratégia americana para derrubar seu governo.

Mas, ainda assim, a Venezuela não chegou a recusar completamente a ajuda oferecida por outros países e organismos estrangeiros.

Ajuda da Rússia

Na semana passada, Maduro anunciou que a Rússia enviou 300 toneladas de alimentos e materiais médicos para a Venezuela, que chegariam no dia 20 de fevereiro.

Mas, ao ser questionado pela BBC, o governo venezuelano não deu detalhes sobre o conteúdo dos carregamentos nem permitiu filmá-los.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse não ter informações sobre o envio. Questionado pela BBC, o governo russo não deu esclarecimentos sobre a carga.

Apenas a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), que trabalha com a Organização Mundial da Saúde (OMS), concedeu informações sobre o material à BBC.

Segundo a ONG, a Venezuela recebeu um carregamento russo com 7,5 toneladas no dia 21 de fevereiro.

Houve uma entrega semelhante em abril de 2018 - a OMS supervisionou a entrega de 50 toneladas de remédios e suprimentos vindos de diversos países.

Que tipo de ajuda humanitária está chegando à Venezuela?

Grupos não governamentais que atuam dentro da Venezuela dizem que o país sofre uma escassez grave de materiais médicos.

Segundo o serviço de rastreamento financeiro da ONU, o FTS, que coleta dados sobre fundos de ajuda humanitária no mundo, foram enviados US$ 24 milhões para a Venezuela em 2018.

As agências que receberam mais dinheiro para ajudar o país foram a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o Conselho Norueguês de Refugiados (ONG que trabalha com refugiados em 32 países).

Isso inclui cerca de US$ 9 milhões arrecadados por meio do fundo de resposta a emergências da ONU, para melhorar a situação de nutrição no país, em projetos coordenados por agências internacionais como a Agência da ONU Para Refugiados (Acnur) e a OMS.

Neste ano, já foram doados outros US$ 15 milhões, segundo o FTS.

Desde novembro, agências da organização estavam aumentando suas atividades para dar conta das "urgentes necessidades médicas, de nutrição e proteção".

A Comissão Europeia foi o maior doador para organizações que trabalham na Venezuela em 2018, segundo a base de dados. Ela envia ajuda humanitária ao país desde 2016, em projetos ligados a alimentação, água, higiene e saneamento.

Em junho passado, anunciou um pacote de 35 milhões de euros (quase US$ 40 milhões) que incluía ajuda humanitária para pessoas dentro do país, medidas para proteger refugiados em países vizinhos e apoio para desenvolvimento.

Em seguida, em dezembro, houve um pacote emergencial de 20 milhões (quase U$ 23 milhões) e foi anunciado outro plano, de 5 milhões de euros (US$ 5,6 milhões), para este ano.

A título de comparação, o governo dos EUA, que apoia o líder da oposição e autoproclamado presidente do país, Juan Guaidó, disse ter oferecido o equivalente a US$ 20 milhões em suprimentos.

Agravamento da crise

A situação na Venezuela vem se deteriorando sensivelmente. Imagens recentes mostram um país abalado pela pobreza e pela hiperinflação.

Mas a crise não começou agora. A fome fez mais de 64% dos venezuelanos declararem, em uma pesquisa, terem perdido, em média, 11 kg no ano passado. A violência esvazia as ruas das grandes cidades quando anoitece. E a situação provocou um êxodo em massa para países vizinhos.

Em novembro, a ONU informou que 3 milhões de venezuelanos deixaram o país nos últimos anos.

A derrocada econômica sofre forte influência do comércio do petróleo, que domina a economia da Venezuela e representa praticamente a totalidade de suas receitas de exportação.

A Venezuela tem uma das maiores reservas de petróleo do mundo, mas, na última década, a produção do recurso entrou em colapso.

Entre 2004 e 2015, nos governos de Hugo Chávez e no início do de Maduro - eleito em 2013 após a morte de seu padrinho político, no mesmo ano -, o país recebeu US$ 750 bilhões provenientes da venda de petróleo.

Mas, em 2014, o preço do petróleo desabou. No início daquele ano, depois de ter alcançado um pico de US$ 138,54 em 2008, o preço do barril de petróleo era negociado a cerca de US$ 100 e caiu pela metade no fim do ano, mantendo essa queda significativa até este ano, quando voltou a atingir o patamar de US$ 80.

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