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Análise: Brasil poderia se tornar 'vigilante' dos EUA na América Latina

O presidente norte-americano, Donald Trump, referiu a possibilidade de entrada do Brasil na OTAN. O analista russo Pavel Feldman avaliou a possibilidade de entrada do Brasil na aliança, bem como que papel poderia desempenhar o Brasil no conflito na Venezuela.
Sputnik

Durante a visita oficial do presidente do Brasil Jair Bolsonaro aos EUA, foram discutidos os assuntos internacionais mais importantes, entre eles a cooperação bilateral entre os EUA e o Brasil e a situação na Venezuela.


Uma das declarações mais sensacionais foi a possibilidade de entrada do Brasil na OTAN, referida pelo presidente dos EUA Donald Trump.

O vice-diretor do Instituto de Estudos Estratégicos e Prognósticos da Universidade Russa da Amizade dos Povos, Pavel Feldman, revelou em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik que os EUA são apenas um dos países da OTAN, há outros países cuja opinião deveria ser levada em conta nesse assunto.

Segundo ele, se o Brasil aderir à OTAN ele vai desempenhar o papel de vigilante d…

OEA calcula que 5.000 venezuelanos deixaram o país a cada dia em 2018

A organização calcula que 3,4 milhões de venezuelanos deixaram o país desde 2015 por causa da escassez de alimentos, violência e crise econômica


Pablo Guimón e Tom C. Avendaño | El País


A Venezuela atravessa uma crise de emigrantes e refugiados "sem precedentes na região”, segundo um relatório da Organização dos Estados Americanos (OEA) publicado nesta sexta-feira em Washington. “Em 2018, ao menos 3,4 milhões de venezuelanos, mais de 10% da população do país, fugiram a diferentes destinos da América Latina e do Caribe”, assinala o relatório. São cerca de 5.000 pessoas por dia que abandonaram a Venezuela “em condições de alta vulnerabilidade”. O relatório prevê mais de cinco milhões de refugiados entre 2015 até o final de 2019, o que significaria um êxodo de uma magnitude comparável às crises em países vítimas de conflitos armados como Síria e Afeganistão.

Venezuelanos caminham em Pacaraima, Brasil, depois de cruzar a fronteira.
Venezuelanos caminham em Pacaraima, Brasil, depois de cruzar a fronteira. NELSON ALMEIDA AFP

A organização internacional, criada em 1948 e cujo secretário-geral é Luis Almagro, opositor ao regime de Nicolás Maduro, calcula que 5.000 pessoas fogem a cada dia da violência, da escassez de alimentos e remédios, da hiperinflação e da crise política da nação sul-americana. O relatório, realizado por um grupo de trabalho coordenado pelo opositor David Smolansky e integrado por quatro experientes independentes, afirma que a situação dos refugiados poderia superar os cinco milhões de pessoas até o final de 2019.

"Sem mudanças significativas que possam reverter a crise econômica, política e social na Venezuela, o número total de migrantes e refugiados poderia chegar a estar entre os 5,39 e os 5,75 milhões no final de 2019", assegurou Almagro na apresentação do relatório. Esta cifra de emigrantes venezuelanos no exterior poderia ficar entre 7,5 milhões e os 8,2 milhões para 2020, segundo as estimativas do documento. Superaria, assim, o número de deslocados pela guerra na Síria, que gerou 6,3 milhões de refugiados entre 2011 e 2017.

O principal destino dos emigrantes venezuelanos é a Colômbia, onde chegaram 1,2 milhões de pessoas. A zona fronteiriça entre os dois países, sobretudo a cidade de Cúcuta, foi palco da tensão entre os governos de Iván Duque e o regime de Maduro pelo armazenamento da ajuda humanitária que Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional reconhecido como mandatário interino por mais de 50 Governos, pretendia receber de outras nações latino-americanas. O segundo destino é o Peru (700.000 venezuelanos), e depois estão Chile (266.000), Equador (250.000) e Argentina (150.000).

O Brasil acolheu 100.000 venezuelanos. O fluxo de migrantes se intensificou em fevereiro na fronteira com a cidade de Pacaraima (Roraima). Um total de 600.000 deslocados venezuelanos, segundo o relatório, residem atualmente nos Estados Unidos. Os opositores asseguram estar negociando com o Congresso norte-americano a aprovação do status de proteção temporária para pelo menos 74.000 pessoas que solicitaram asilo ou refúgio.

Smolansky, ex-prefeito do município de Hatillo, considera que o êxodo é provocado pela "falta de comida e remédios, violência generalizada, o colapso econômico... e a violação em massa e sistemática dos direitos humanos". O coordenador do trabalho afirmou que a hiperinflação sofrida pela nação sul-americana, que alcançou em 2018 1.300%, afogou economicamente muitas famílias.

A Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) também apresentou nesta sexta-feira dados sobre o êxodo de Venezuela. Nos últimos quatro anos —isto é, entre os protestos contra o governo de Nicolás Maduro de 2014 e depois de sua reeleição, em 2018—, pediram asilo em outros países 414.000 venezuelanos, sendo 248.000 apenas em 2018, segundo os dados da ONU. Uma percentagem pequena do total de emigrados do país, mas indicativo.

A moeda venezuelana se infla a um ritmo de dois milhões por cento ao ano e o salário mínimo caiu a seis dólares mensais. Esta degradação alterou o perfil do venezuelano que deixa seu lar. Já não são ricos molestos pela falta de crescimentos do país; agora são os desfavorecidos, asfixiados pela pobreza e pela falta de mudança no horizonte. Os ricos deixaram a Venezuela como estudantes ou com vistos de trabalho a países como Estados Unidos e Espanha.

Os que pedem asilo costumam ser, no entanto, aqueles que não têm dinheiro para enfrentar os custos de emigrar e que, visto como está o país, dificilmente vão reunir condições financeiras. Os países aos que aspiram a ir também mudam. Segundo ACNUR, dois terços dos 414.000 solicitaram ficar na América Latina, principalmente na Colômbia —que tem mais de 2.000 quilômetros de fronteira com Venezuela— Argentina ou Brasil.

Os dados da ONU alcançam até o final de 2018. Cobrem, portanto, a intensificação da crise política provocada pela reeleição, em maio, de Maduro como presidente. Mas não alcançam janeiro deste ano, quando Juan Guaidó foi reconhecido como presidente interino por parte da Comunidade Internacional. Durante cinco dias houve protestos e repressão, resultando em dúzias de mortes e 900 detenções.

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