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Análise: Brasil poderia se tornar 'vigilante' dos EUA na América Latina

O presidente norte-americano, Donald Trump, referiu a possibilidade de entrada do Brasil na OTAN. O analista russo Pavel Feldman avaliou a possibilidade de entrada do Brasil na aliança, bem como que papel poderia desempenhar o Brasil no conflito na Venezuela.
Sputnik

Durante a visita oficial do presidente do Brasil Jair Bolsonaro aos EUA, foram discutidos os assuntos internacionais mais importantes, entre eles a cooperação bilateral entre os EUA e o Brasil e a situação na Venezuela.


Uma das declarações mais sensacionais foi a possibilidade de entrada do Brasil na OTAN, referida pelo presidente dos EUA Donald Trump.

O vice-diretor do Instituto de Estudos Estratégicos e Prognósticos da Universidade Russa da Amizade dos Povos, Pavel Feldman, revelou em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik que os EUA são apenas um dos países da OTAN, há outros países cuja opinião deveria ser levada em conta nesse assunto.

Segundo ele, se o Brasil aderir à OTAN ele vai desempenhar o papel de vigilante d…

Presidente do Uruguai destitui chefe do Exército por suas críticas ao Governo

Guido Manini Ríos se rebela contra reforma das pensões militares promovida por Tabaré Vázquez.

O general anunciou sua intenção de entrar para a política


Magdalena Martínez | El País


Montevidéu - O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, destituiu de maneira fulminante o comandante-em-chefe do Exército, general Guido Manini Rios, depois de que o oficial voltou a fazer críticas à reforma das pensões militares e anunciou sua intenção de entrar para a política. A decisão foi confirmada à imprensa por fontes militares, e o Governo anunciou que em breve publicará um comunicado a respeito. Em pleno ano eleitoral, trata-se de uma sacudida considerável no sistema político uruguaio, habituado à estabilidade e às boas relações entre as esferas civil e militar.

O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, fala durante a apresentação de um balanço de sua gestão, na sexta-feira passada, em Montevidéu.
O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, fala durante a apresentação de um balanço de sua gestão, na sexta-feira passada, em Montevidéu | FEDERICO ANFITTI - EFE

Durante a manhã desta terça-feira, Manini Rios concedeu entrevista a uma rádio local em que disse não descartar uma carreira política para reverter a reforma das pensões militares, aprovada no ano passado no Congresso. “Nós mesmos, no Exército, temos preocupação com determinados setores da sociedade, e se amanhã ou depois nos decidirmos a fazer política o essencial será apontar para esses setores que necessitam de políticas concretas que ajudem a tirá-los da situação onde estão”, disse o chefe do Exército uruguaio.

Em setembro, Manini Rios já havia sido sancionado com 30 dias de detenção por fazer declarações à imprensa contra as mudanças na previdência militar e por chamar um ministro de mentiroso. Segundo o Governo, o comandante do Exército deve se abster de emitir opiniões políticas. Pouco depois de cumprir a sanção, o militar compareceu à posse do novo comandante do Exército brasileiro e foi fotografado com o presidente Jair Bolsonaro.

No fim de janeiro, a imprensa local anunciou que um grupo ligado ao general pretendia criar um partido político, e a Corte Eleitoral informou sobre a inscrição de uma nova agremiação chamada Movimento Social Artiguista (em referência ao herói da independência, José Gervasio Artigas). Imediatamente, ganhou corpo na esquerda o temor de que surja um “Bolsonaro uruguaio”.

O estopim da crise foi a reforma das pensões militares, votada em outubro após um ano e meio de negociações, graças ao apoio da esquerdista Frente Ampla (FA). Ciente do mal-estar nos estamentos militares, a governista FA havia suavizado fortemente a mudança, que só terá resultados visíveis sobre o déficit previdenciário dentro de uma ou duas décadas, porque mantém a situação atual para a maioria dos militares e só será aplicada àqueles com menos de 15 anos de serviço.

Com uma taxa de natalidade em queda livre (1,7 filho por mulher em 2017) e uma expectativa de vida de 77 anos — uma das mais altas da América Latina —, o debate sobre o futuro e a sustentabilidade do sistema previdenciário vem ganhando muita força no Uruguai: o déficit do regime geral — diferença entre arrecadação e gasto — superou 582 milhões de dólares (2,2 bilhões de reais) em 2017, e o da caixa militar foi de 550 milhões. A combinação de benefícios elevados e aposentadorias precoces torna o déficit causado pelos 60.000 militares quase igual ao provocado pelo pagamento de aposentadorias e pensões e 700.000 civis.

Tanto o Governo como a oposição admitem um possível aumento da idade geral de aposentadoria, de 60 para 65 anos, com o objetivo de garantir a sobrevivência de um sistema que é cada vez mais oneroso para os cofres públicos uruguaios. Esta medida, muito impopular, contrasta com a média de idade de aposentadoria dos militares, que é de 49 anos. Os oficiais da reserva mais graduados ganham até o triplo que o resto dos aposentados.

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