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Trump diz que 'certamente' entraria em guerra com o Irã, mas 'não agora'

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que consideraria uma ação militar contra o Irã para impedir que a República Islâmica consiga armas nucleares. A briga entre Teerã e Washington aumentou depois que os EUA acusaram o Irã de atacar dois petroleiros.
Sputnik

"Eu certamente vou considerar as armas nucleares", disse Trump à revista Time na terça-feira, quando perguntado sobre o que poderia levá-lo a declarar guerra ao Irã. "E eu manteria o outro um ponto de interrogação".

A reportagem não especificou se o presidente elaborou o cenário de lançar um conflito armado de pleno direito com a República Islâmica sobre seu programa nuclear. Quando um repórter perguntou a Trump se ele estava considerando uma ação militar contra o Irã agora, ele respondeu: "Eu não diria isso. Eu não posso dizer isso".

Seus comentários foram feitos um dia depois de o Pentágono ter enviado 1.000 soldados extras para o Oriente Médio "para fins defensivos".

Os Estados Unidos cu…

As esperanças e as polêmicas em torno das negociações entre os EUA e o Talebã

Pela primeira vez em 18 anos, o governo dos EUA parece estar cogitando seriamente a retirada de suas tropas do Afeganistão, o que poria fim à mais longa guerra da história americana.


Dawood Azami | BBC

Desde outubro, autoridades americanas e representantes do grupo radical Talebã realizaram cinco rodadas de conversas diretas e estão prestes a encontrar-se para a sexta, cujo objetivo é garantir uma saída segura das tropas estrangeiras, em troca de garantias de que os insurgentes não permitirão que o território afegão seja usado por militantes estrangeiros para organizar atividades extremistas contra o resto do mundo.

Militantes do Talebã
O Talebã hoje controla mais território do que jamais teve desde de 2001 | AFP/GETTY IMAGES

Uma coalizão liderada pelos EUA destituiu o Talebã do poder em 2001, em resposta ao abrigo dado à Al-Qaeda, grupo extremista que foi responsabilizado por Washington pelos atentados do 11 de Setembro.

Um raro consenso para resolver o conflito de modo pacífico, que tem se formado dentro e fora do Afeganistão, significa que a paz nunca esteve tão próxima, em um país que convive com guerras há cerca de quatro décadas.

Mas as rodadas de conversa EUA-Talebã, em Doha, são apenas a primeira fase de um complexo processo, de resultado ainda incerto - e há muitos obstáculos a serem superados. A BBC lista alguns cenários possíveis e as perguntas ainda a serem respondidas:

Há a necessidade de um cessar-fogo?

Ainda há intensos combates em todo o país, e, embora o Talebã esteja disposto a negociar, o grupo hoje controla e influencia mais território do que jamais deteve desde 2001: tem presença ativa em cerca de 70% do país.

Após um longo período de impasse nas conversas com os insurgentes, o presidente americano, Donald Trump, manifestou intenção de pôr fim à guerra - a qual, segundo estimativas oficiais dos EUA, custa cerca de US$ 45 bilhões anualmente.

A intenção de retirar, em um futuro próximo, a maioria dos 14 mil soldados americanos de solo afegão pegou o público de surpresa, incluindo o próprio Talebã.

Mas, mesmo que EUA e Talebã consigam negociar entre si, os afegãos continuarão precisando resolver diversas questões internas, incluindo um cessar-fogo, um diálogo entre o Talebã e o governo afegão e, o mais importante, a formação de um novo governo e de um sistema político funcional.

Idealmente, um cessar-fogo precederia eleições, marcadas para 28 de setembro, com a presença do Talebã nas urnas - embora essa possibilidade seja improvável.

Na ausência de um cessar-fogo pleno ou parcial, há temores de que irregularidades eleitorais e consequentes turbulências políticas sobre os resultados impeçam o processo de paz e aumentem a instabilidade.

Governo e Talebã podem dividir o poder?

As negociações com o Talebã e o resultado das urnas podem resultar em diversos cenários.

Em primeiro lugar, será necessário que os principais agentes políticos do país decidam se as eleições, que já sofreram adiamento, de fato ocorrerão em setembro.

Caso a ida às urnas seja confirmada, um novo governo em Cabul poderá negociar com o Talebã, caso um acordo de paz não seja acertado até o pleito. Mas ainda é incerto se o governo eleito cumprirá um mandato completo ou se terá um caráter meramente interino, enquanto ainda é discutida uma nova partilha de poder com o Talebã.

Existe, ainda, a possibilidade de as eleições serem adiadas novamente ou suspensas - o que levaria à extensão do mandato do atual governo - até que se concluam as negociações sobre a reforma política.

O Talebã pode voltar a governar?

A criação de um governo temporário e neutro - ou uma coalizão, que possa incluir o Talebã - também está na mesa de negociações.

Uma assembleia de afegãos (localmente chamada de loya jirga) pode ser convocada para escolher um governo interino, que ficaria incumbido de convocar eleições assim que as tropas americanas deixassem o país e o Talebã fosse reintegrado oficialmente à vida política.

Outra opção é organizar uma conferência internacional para discutir o futuro do país, incluindo políticos afegãos, potências internacionais e países vizinhos - além do próprio Talebã.

Diversos líderes do Talebã disseram à BBC que precisarão de tempo para reintegrar-se oficialmente à sociedade afegã e se preparar para eleições.

Será que antigos inimigos conseguirão cooperar entre si?

Haverá temas espinhosos para passar a limpo depois de 18 anos de conflito, cujo saldo é de centenas de milhares de mortos em todos os lados, entre insurgentes, civis e militares.

Por exemplo, o Talebã não aceita a atual Constituição e diz que o governo afegão é "um regime marionete dos EUA".

Até agora, o governo eleito do presidente Ashraf Ghani não foi envolvido no diálogo direto com os insurgentes, que se recusam a negociar com um presidente que não reconhecem.

Ao mesmo tempo, uma significativa parcela da população teme que compartilhar o poder com o Talebã leve ao retorno das rígidas e obscurantistas regras impostas pelo grupo durante seus anos no poder, sob uma interpretação rígida da lei islâmica. Nos anos 1990, quando governava o país, o Talebã bania mulheres da vida pública e as punia com apedrejamentos e mutilações.

O temor é de que diversas liberdades conquistadas desde então - sobretudo as femininas - sejam perdidas.

E se as negociações não resultarem em um acordo de paz?

Desde a invasão soviética do Afeganistão, em 1979, há uma longa lista de acordos não cumpridos e tentativas fracassadas de pôr fim aos conflitos no país.

E diversos cenários passados podem se repetir agora.

Uma retirada das tropas americanas, com ou sem um acordo de paz, pode ou não resultar no colapso do governo em Cabul.

A guerra pode continuar, e nesse caso a sobrevivência do governo dependeria fortemente de ajuda financeira e militar de aliados estrangeiros, sobretudo os EUA, e da unidade e comprometimento da elite política afegã.

Quando as forças soviéticas se retiraram do Afeganistão, em 1989, o governo apoiado por Moscou se arrastou no poder por mais três anos.

Mas seu colapso, em 1992, resultou em uma sangrenta guerra civil, envolvendo várias facções afegãs apoiadas por diferentes potências regionais.

Se não houver cautela nas negociações, é possível que algum desses cenários volte.

O Talebã, que emergiu justamente do caos da guerra civil, capturou Cabul em 1996 e comandou a maior parte do país até ser removido do poder pela coalizão liderada pelos EUA, em 2001.

O grupo pode novamente tentar controlar o Estado caso as negociações fracassem.

O país pode voltar a um cenário de caos absoluto?

Se a negociação atual levar o Talebã de volta à vida política oficial de modo pacífico, o resultado pode ser o fim dos conflitos e a formação de um governo afegão representativo - uma vitória para todos os lados envolvidos.

Mas a alternativa a isso é sombria: uma possível intensificação dos conflitos e mais instabilidade em um país de localização estratégica, próximo a potências mundiais e regionais como China, Rússia, Índia, Irã e Paquistão.

Um novo ciclo de caos político pode levar à emergência de novos e violentos grupos extremistas e de mais violência, em âmbito local e até mundial - foi em vácuos do tipo que sugiram grupos extremistas como a Al-Qaeda e o autodenominado Estado Islâmico.

Outro efeito colateral seria o potencial aumento na produção de drogas como a heroína e um novo fluxo de refugiados afegãos.

Como evitar esse cenário?

A história mostra que a mera iniciação de negociações e a assinatura de acordos não garantem que conflitos serão resolvidos de modo pacífico. São, na verdade, o passo inicial de um processo complexo - o de tirar do papel e colocar o acordo em prática, que é o maior desafio afegão.

Dado o histórico de conflitos no país, a chance atual de pacificação pode rapidamente se perder pela ação de atores locais ou internacionais.

Sendo assim, um acordo prático será necessário para coordenar os esforços de paz, conter sabotagens e concretizar uma rara oportunidade de resolver quatro décadas de guerra.

A ironia dos representantes do Talebã nas negociações

A delegação do Talebã envolvida nas negociações com os EUA inclui os chamados "Cinco de Guantánamo" - ex-líderes do grupo que foram capturados após a queda do regime e ficaram detidos por quase 13 anos na polêmica prisão americana em Guantánamo.

Eles nunca chegaram a ser formalmente acusados de terrorismo e foram entregues ao Catar em 2014 como parte de uma troca de prisioneiros envolvendo Bowe Bergdahl, soldado americano caputrado por insurgentes em 2009.

Hoje, ironicamente, estão diante das autoridades americanas em uma mesa de negociação.

Os cinco homens são Mohammad Fazl, vice-ministro de Defesa do Talebã em 2001; Mohammad Nabi Omari, apontado como próximo à rede militante afegã Haqqani; mulá Norullah Noori, comandante sênior do Talebã e ex-governador; Khairullah Khairkhwa, ex-ministro do Interior e ex-governador; e Abdul Haq Wasiq, vice-chefe de Inteligência do Talebã.

Eles são liderados na delegação por Sher Mohammad Abbas Stanikzai, que chefia o escritório político do grupo no Catar.

Em uma entrevista recente para a BBC, ele afirmou que um cessar-fogo não será acertado até que todas as tropas estrangeiras se retirem do Afeganistão.

Ao mesmo tempo, o enviado especial americano para a reconciliação afegã, Zalmay Khalilzad, está em viagem à região conflagrada, em preparação para a nova rodada de negociações no Catar. Em janeiro, ele afirmou já haver "progressos significativos" no processo conciliatório.

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