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Os mísseis russos que se tornaram alvo de disputa entre EUA e Turquia

A Turquia, dona do segundo maior Exército entre os 29 países que compõem a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), está prestes a adquirir mísseis antiaéreos S-400.
BBC News Brasil

Os S-400 são os mísseis "terra-ar" mais avançados do mundo e se tornaram motivo de uma disputa entre Turquia e Estados Unidos que pode ameaçar a aliança militar das potências ocidentais.

Isso porque os S-400 são fabricados na Rússia, o principal rival da organização fundada em 1949 justamente para se opor à então União Soviética.

A insistência da Turquia em adquirir os mísseis russos irritou os Estados Unidos, que encaram a decisão como uma potencial ameaça para seus aviões de combate F-35, também em vias de serem comprados pelos turcos.
Troca de farpas

"Não ficaremos de braços cruzados enquanto os aliados da Otan compram armas dos nossos adversários", advertiu o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, durante um encontro organizado há poucos dias em Washington para celebrar o aniversár…

Chanceler russo: EUA preparam nova corrida armamentista

O poder nos EUA está nas mãos dos partidários de uma nova corrida armamentista, mas ele não vão conseguir que a Rússia participe desse processo, disse durante um reunião do Conselho para a Política Externa e de Defesa, o chanceler russo, Sergey Lavrov.


Sputnik

"Se olharmos para as ações de Washington nessa área, podemos concluir que os defensores de uma nova corrida armamentista prevalecem", disse o chefe da diplomacia russa.

Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, durante conversações com homólogo japonês Taro Kono (imagem de arquivo)
Sergei Lavrov © Sputnik / Ramil Sitdikov

Lavrov lembrou que o presidente russo, Vladimir Putin, destacou repetidamente essa tendência.

"Quero enfatizar que eles não serão capazes de envolver a Rússia neste dispendioso exercício", destacou o ministro.

Lavrov denunciou que os Estados Unidos estão empenhados em "destruir" todos os acordos existentes em matéria de controle de armas, incluindo o Tratado sobre mísseis de curto e médio alcance (INF), e o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START).

Se os Estados Unidos conseguirem o que querem, as consequências serão desastrosas para outros mecanismos existentes em matéria de desarmamento e não-proliferação.

"É importante não permitir a realização do cenário que se expressa na fórmula familiar de 'ninguém queria guerra, mas a guerra era inevitável'. Estamos tentando trabalhar com todos os nossos parceiros de modo mais próximo e eficaz possível, fazendo propostas para aumentar previsibilidade e confiança na área de segurança internacional ", disse o diplomata.

Lavrov citou a proposta de um tratado de segurança euro-atlântica e iniciativa conjunta russo-chinesa para impedir a instalação de armas no espaço.

"Há outras propostas que permanecem na mesa de negociação…mas os nossos colegas em Washington, Bruxelas e outras capitais ocidentais não estão prontos para uma conversa tão profissional", acrescentou o ministro.

O Tratado INF foi assinado em 1987 pela então União Soviética e os EUA para proibir mísseis balísticos e de cruzeiro com um alcance entre 500 e 5.500 quilômetros.

Em outubro passado, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que seu país abandonaria o pacto, porque Moscou supostamente violou o acordo.

Segundo o tratado START (também conhecido como START III), os EUA e a Rússia se comprometeram a reduzir seus arsenais para 700 mísseis, 1.550 ogivas nucleares.

Assinado em 2010, o acordo entrou em vigor em 2011 por um período de dez anos, prorrogável por outros cinco.

As conversações russo-americanas para estender o tratado estagnaram.

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