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Os mísseis russos que se tornaram alvo de disputa entre EUA e Turquia

A Turquia, dona do segundo maior Exército entre os 29 países que compõem a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), está prestes a adquirir mísseis antiaéreos S-400.
BBC News Brasil

Os S-400 são os mísseis "terra-ar" mais avançados do mundo e se tornaram motivo de uma disputa entre Turquia e Estados Unidos que pode ameaçar a aliança militar das potências ocidentais.

Isso porque os S-400 são fabricados na Rússia, o principal rival da organização fundada em 1949 justamente para se opor à então União Soviética.

A insistência da Turquia em adquirir os mísseis russos irritou os Estados Unidos, que encaram a decisão como uma potencial ameaça para seus aviões de combate F-35, também em vias de serem comprados pelos turcos.
Troca de farpas

"Não ficaremos de braços cruzados enquanto os aliados da Otan compram armas dos nossos adversários", advertiu o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, durante um encontro organizado há poucos dias em Washington para celebrar o aniversár…

Moscou: cooperação entre Rússia e OTAN na área civil e militar terminou completamente

Nesta segunda-feira (15), o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Aleksandr Grushko, afirmou à Sputnik que, por enquanto, Moscou não vê sinais de que a OTAN saiba como sair do impasse nas relações com a Rússia.


Sputnik

Segundo o vice-ministro, a cooperação entre a Rússia e a OTAN na área civil e militar terminou completamente.

Soldado com a bandeira da OTAN
© REUTERS / Ints Kalnins

"A cooperação pela linha civil e militar terminou completamente. A própria OTAN abriu mão da agenda positiva nas relações com a Rússia. Esta não existe e, por enquanto, não há sinais de que a OTAN saiba como sair desse impasse", apontou.

Porém, o vice-ministro detalhou que a Rússia continua mantendo contatos militares com determinados países da aliança.

"Hoje em dia existe uma necessidade objetiva de diálogo político e de manutenção de contatos a nível de analistas militares. A OTAN recusou a colaboração prática conosco para reforçar a segurança. Contudo, existe uma necessidade objetiva de trabalho conjunto para diminuir os riscos de escalada acidental, para impedir incidentes. Com determinados países da OTAN existem tais contatos. Com a aliança em geral – não", disse.

Além disso, Grushko assinalou que as divergências no interior da aliança agora são agora maiores que antes e que a OTAN tenta se consolidar à custa da assim chamada "ameaça russa".

"Hoje em dia essas divergências são até mais profundas do que antes. Porém, infelizmente, não foi encontrado melhor jeito de consolidar o bloco do que sacudir a poeira da 'ameaça russa'", disse.

Como resultado, a Rússia vem lidando, da parte da OTAN, não somente com o renascimento da retórica da "Guerra Fria", mas também com um desenvolvimento militar da aliança que segue "essas mesmas pisadas", apontou o vice-ministro das Relações Exteriores russo.

"Tudo isso junto com a realização dos planos de criação de um sistema global de defesa antimíssil, a intenção dos EUA de se livrarem de limitações na área de controle de armamentos, como o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF), formam um quadro alarmante. Aumentaram significativamente os riscos de uma escalada incontrolável da tensão militar e da corrida armamentista", acrescentou.

Aleksandr Grushko indicou que a crise atual nas relações entre a Rússia e OTAN não é a primeira, mas é a mais prolongada.

"Já houve situações em que as nossas relações foram interrompidas: em 1999, devido aos bombardeios da Iugoslávia pelas forças da OTAN, e em 2008, após o conflito na Ossétia do Sul. A crise de hoje não é a primeira mas é a mais prolongada", concluiu o diplomata.

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